O popular, na elite.

2 de mar de 2012

Esporte de sobrenomes ligados a famílias tradicionais, com a reputação de elitista, o polo a cavalo dá um passo na missão de se tornar mais familiar ao público brasileiro através do lançamento da equipe do Corinthians. Associados a uma marca popular do futebol, integrantes da modalidade esperam atrair atenção para a prática e relativizar o rótulo de diversão exclusiva de endinheirados.

Nome conhecido na seleção brasileira, Calão Mello será o líder da equipe do Corinthians no polo
O Corinthians Polo Team nasceu da iniciativa do empresário Felipe Rodrigues, que conseguiu a parceria do Corinthians em negociação com o Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente do clube, no final de 2011.

Agora o projeto acaba de recrutar Calão Mello, capitão da seleção brasileira em três campeonatos mundiais e treinador da equipe na última edição do torneio, quando o país saiu com o vice.

Com 15 anos de experiência em gramados internacionais, Calão chega para ser jogador, mas principalmente com a missão de organizar o projeto do Corinthians do ponto de vista técnico, na montagem e treinamento da equipe.

O time disputará campeonatos nacionais em seu ano de estreia e terá todas as partidas transmitidas pela TV Corinthians, presente em operadoras por assinatura. A intenção é atrair interesse ao esporte através da eventual adesão de parte da comunidade alvinegra.

SOBRE O POLO
O polo a cavalo é um esporte em que a disputa se faz dentro de um campo de grama, de aproximadamente 275 por 150 metros, com dois gols de 7,5 metros, posicionados em cada extremidade. São duas equipes de quatro jogadores cada, dois juízes montados que acompanham o jogo dentro do campo e um terceiro arbitro fora dele.

O objetivo é anotar gols, golpeando uma bola de plástico inflado de aproximadamente 8 cm de diâmetro com um taco que varia de 50 à 53 polegadas de cumprimento, composto de uma alça, uma empunhadura, uma cana de bambu e um charuto de madeira na extremidade, com um peso total variando de 420 à 580 gramas.

Os jogadores são classificados por Handicap. O Handicap é uma nota de -1 à 10, julgada por uma comissão que avaliará o desempenho do atleta durante toda uma temporada. O jogador iniciante, por não obter histórico em torneios, participará de com o handicap -1 e, no final do ano, será avaliado.
"A marca Corinthians é muito forte, a principal do país e pioneira neste cenário de estratégia de marketing. Queremos chamar atenção para um esporte pouco divulgado, apesar de o Brasil já ter representatividade, é o atual vice-campeão mundial. Praticamente não existe cobertura da modalidade, temos apenas dois veículos especializados. Esperamos gerar uma curiosidade diferente. Quem sabe despertar a percepção no corintiano de que ele pode assistir", afirma Felipe Rodrigues, idealizador do projeto.

Além da TV do clube, o corintiano que despertar com mais entusiasmo para a modalidade pode acompanhar as partidas, que invariavelmente acontecem na cidade de Indaiatuba, região de Campinas, no Helvetia Polo Club ou em propriedades particulares.

Na mão inversa, os nomes ligados ao projeto corintiano admitem que podem lidar com alguma espécie de rejeição dentro do universo do polo, por sugerirem uma inovação ligada ao popular.

"Como tudo o que é novo, existe uma ignorância sobre o potencial deste trabalho. Talvez exista um pré-julgamento, acho que já está havendo. Mas, com o tempo, com as ações que serão tomadas, as coisas podem mudar. A ‘tribo’ do polo vai avaliar a chegada do Corinthians sem esse pré-julgamento de 'que raios essa equipe tão tradicional está se metendo num esporte tão diferente?'. A gente espera atrair mais patrocinadores e mais adeptos", diz o jogador Calão Mello.

A equipe terá licença de três anos para explorar a imagem do Corinthians, com as receitas divididas entre as duas partes. O projeto que pretende comercializar produtos ligados a modalidade nas lojas oficiais do clube e pontos de venda no segmento equestre nacional.

Inicialmente, o time corintiano ingressará em torneios de baixo e médio Handicap [avaliação individual dos jogadores]. A meta em médio prazo é conduzir a equipe a torneios internacionais.

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